Retorne ao SPIN

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Adrian Cowell, spin cineasta, humano




Primeira tentativa de contato com os índios Kreen-Akarore (Panará) realizada pelos Irmãos Villas Bôas. Abertura do longa metragem de autoria do diretor Adrian Cowell.













Chico Mendes: eu quero viver (1989)
Direção: Adrian Cowell e Vicente Rios

"Meu sonho é ver toda esta floresta conservada, porque nós sabemos que ela pode garantir o futuro de todas as pessoas que vivem nela. E não é só isso. Eu acredito que em alguns anos a Amazônia pode se tornar uma região economicamente viável, não apenas para nós, mas para a nação, toda da humanidade e todo o planeta. Não quero flores em meu funeral porque sei que elas seriam tiradas da floresta. Só desejo que meu assassinato sirva para por fim à impunidade de pistoleiros que são protegidos pela Polícia Federal do Acre. Se um mensageiro descesse do céu e garantisse que minha morte ajudaria a fortalecer nossa luta, ela até valeria a pena. A experiência nos ensina o contrário. Não é com grandes funerais e manifestações de apoio que iremos salvar a Amazônia. Eu quero viver [...]" (Citação de Francisco Mendes Filho, líder nacional dos seringueiros e presidente dos Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri-AC. Assassinado no dia 22 de dezembro de 1988 a mando de latifundiários da região" (COWELL, 2010, não paginado).


14/10/2011 17:22:10
Morre em Londres, aos 77 anos, o cineasta da floresta

ISA

A notícia da morte de Adrian Cowell, na noite de segunda-feira (10/10), por complicações respiratórias, surpreendeu familiares e amigos. Conhecido como incansável defensor da floresta, Adrian celebrizou-se pelos documentários que fez para a televisão britânica sobre a destruição da floresta amazônica e seus impactos sobre as populações indígenas e ribeirinhas. Escreveu livros também nos quais, tais como nos documentários, registrou a colonização da Amazônia e sua destruição nas décadas de 1980 e 1990.

Seu livro A Década da Destruição, publicado em 1990, tornou-se leitura obrigatória em tempos pré-Rio-92, com capítulos específicos sobre o Parque Indígena do Xingu, Rondônia e o líder seringueiro Chico Mendes. A partir de suas incursões pela Amazônia, produziu e dirigiu uma série de documentários que se tornaram célebres como Nas cinzas da floresta, Matando pela terra, Montanhas de Ouro e A morte de Chico Mendes. Os três prêmios da British Academy (BAFTA), o Prêmio International Emmy Founders e ainda os quatro Golden Gate que recebeu foram o reconhecimento público ao seu trabalho.

A carreira de cineasta teve início em 1956, quando esteve na América do Sul pela primeira vez e em 1957, aos 23 anos, foi à Amazônia pela primeira vez, em uma caravana de jovens cineastas. Anos mais tarde, entre 1980 e 1990, Cowell registrou em fotos, vídeos e por escrito a colonização da Amazônia, o desmatamento e as campanhas ambientalistas pela preservação da floresta, além da morte de Chico Mendes, da criação das primeiras reservas extrativistas e do primeiro contato com os índios Uru Eu Wau Wau. Dois de seus livros tratam de sobre povos indígenas no Brasil: The Heart of the Forest e The Tribe that Hides from Man. A morte repentina de Cowell surpreendeu sua família e seus amigos, ocorrida na noite de ontem (10/10), em Londres, por complicações respiratórias.

A pesquisadora Stela Penido, da Fiocruz, companheira de trabalho de Cowell,contou que ele chegaria ao Rio no dia 12, dois dias antes de sua morte, para finalizar com ela e seu co-diretor Vicente Rios a versão em português do filme Killing for Land (ou Matando pela terra), inédito no Brasil, sobre assassinatos no sul do Pará. Este filme é um dos que integra A Década da Destruição e nunca foi traduzido para o português para não comprometer as pessoas que deram depoimentos denunciando os assassinos.

A floresta e o povos da floresta sentirão a ausência de mais um de seus incansáveis defensores.

(ISA)

Fonte: Mercado Ético

Nenhum comentário: