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quinta-feira, 26 de março de 2015

Sessão das 10: "Perfume, A História de um Assassino"

"Apesar de tudo, creio que Perfume jamais será uma unanimidade. É até mesmo provável que os 15 minutos finais irritem boa parte do público, que talvez estranhe os incidentes aparentemente ilógicos que tomam conta da narrativa. Se este for o seu caso, sugiro que encare o que ocorre não de maneira literal, mas alegórica: o sexo nem sempre é uma manifestação puramente física; muitas vezes, é uma representação do prazer que surge da comunhão entre as pessoas. Amar resulta em tocar, abraçar, beijar e, se for o caso, em sexo. Infelizmente para Jean-Baptiste, sua habilidade em despertar estes impulsos nas outras pessoas não se traduz em carinho e amor direcionados a ele mesmo; ele sempre será um indivíduo sem cheiro, atrativos ou alma.
E é por esta razão que a conclusão de Perfume é tão rica sob os pontos de vista poético, psicológico e religioso: o destino de Jean-Baptiste não apenas abre espaço para uma análise psicanalítica e simbólica complexa (focando-se na fase oral do desenvolvimento humano) como também complementa à perfeição a alegoria religiosa, já que, como Cristo, o personagem parece ascender misteriosamente ao Céu. 
Pablo Villaça

http://www.jornalggn.com.br/blog/antonio-ateu/sessao-das-10-perfume-a-historia-de-um-assassino